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Ficha Técnica
 

O Portal

MANTAS DE OURELOS
Tecelagem

 

Mantas de Ourelos e Teares em Madeira

José Alves Gaspar

Sítio do Lameirão ou Mial nº86
Paul

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Descrição |


Materiais Utilizados | Fio, lã, retalhos, trapos.
                                    

Passo a Passo | O “Ti zé”, como é conhecido carinhosamente no Paul por todos, é dos últimos a conhecer a arte de fazer mantas de Ourelos e provavelmente o único a faze-lo num Tear fabricado por ele próprio.
Em casa tem três Teares construídos com as próprias mãos, um deles com madeira e peças de outros Teares da “Fábrica das Taliscas”, onde os pais trabalharam.
Hoje em dia já só faz Mantas consoante a saúde e espírito d'alma, mas continua a vender desde Mantas de Ourelos, Passadeiras, Tapetes, Cobertores e Mantas da Serra.
A sua oficina é em casa onde tem anexos com os Teares, que apesar da idade conseguem reluzir, quando as brechas da madeira deixam entrar as tardes solarengas.

Era uma vez | Aprendeu a arte por ele, sozinho "a arrumar as teias", nunca ninguém me disse anda cá que hás-de aprender a tecer os fios" diz o "Ti zé", embora tenha tido algumas pessoas importantes na vida que lhe deram ensinamentos. Tinha um tio que era carpinteiro o sr "Luís Tamanqueiro, pai do Zé Ribeirinho", que era um especialista e fazia Teares como ninguém, e ia para ao pé dele para ver como era, apesar de Tio Luís Tamanqueiro não gostar muito, "ia-me arrumar ao pé dele, para aprender" e apesar da desaprovação do tio "manquei o jogo todo", sendo que anos mais tarde chegou a vender Teares produzidos por ele.

"Ti Jaquim Janica" foi outros dos carpinteiros com quem o "Ti Zé" aprendeu algumas técnicas, e assim construiu o seu 1º Tear em 1948, apesar de trabalhar em Teares desde 1944, com um Tear emprestado da "Fábrica das Taliscas", Fábrica essa que diz ter "mais de 500 anos".
Meus pais já lá trabalhavam, tendo um Tear em casa construído com várias peças de Teares da “Fábrica das Taliscas", na altura de seu proprietário "Alexandre Calheiros".

Casou com 21 anos, quando veio da tropa, a mulher Maria Capitolina Gouveia já falecida, tinha 20 na altura, "companheira de uma vida, tão boa tão boa, nunca lhe conheci uma mentira", quem os queria ver, era aos dois, sempre juntos para cima e para baixo.

Trabalhou na Covilhã em Fábricas como o "Roque Cabral", "Moura e Batista" no Tortosendo, "Sociedade de Fabricantes", "J.Rodrigues", "Clemente Fazenda", "Penteadora" entre outros.
Ia muitas vezes para a Covilhã "com a teias às costas, mais a minha mulher" diz "ti zé", "os que tinham dinheiro alugavam burros, 5$00 nessa altura, "eu e minha mulher levava-mos cortes de 20kg às costas", trabalhando para quem lhes desse teia. "A 1ª teia que teci para o fabricantes, foi para o Sr Leonel no Tortosendo ao pé do Cabeço"

Entretanto em casa, "A minha mulher ia enchendo umas canelas e eu trabalhava, para fazer um corte às vezes levantavamo-nos às 4 da manhã a chegava-mos a estar até às 11 da noite, tínhamos de seroar madrugar" diz, "levava-mos depois ao Patrão para eles nos pagarem o trabalho".

"Quando o fio era fininho era uma média de 72$00 por cada corte, quando era fio mais groso era 30$00 a 40$00 por corte". Corte era uma peça de fazenda com cerca de 30 metros de comprimento. "Quando fazíamos os crepes que eram fios finos para senhoras, dois cortes valiam 150$00, utilizados para blusas, saias e vestidos de senhora, os fios mais grossos eram mais baratos, e eram mais para homem, coisas grossas, casacos e calças" diz "ti zé", "75$00 não os ganhava ninguém em lado nenhum, só nas minas que se ganhava 7$ escudos por dia"

Nas minas | Quando tinha 18 anos em 1944 ganhava já 11$00 passando depois a trabalhar com o martelo, sendo "Marteleiro" na mina auferindo um vencimento de 15$ por dia. "Cheguei a ganhar 22$00 como Marteleiro, e se fizéssemos mais 10 ou 15 metros, ganhávamos à taxa" salienta "Ti zé", "cheguei a ganhar mais na percentagem, do que no ordenado, e esse era certo ao fim do mês".

Começou a trabalhar nas Minas da panasqueira em 1942 tinha 14 anos, "Quando as teias faltavam...os patrões já não davam peças, a trabalhar na minas só do Paul éramos 400, chegamos lá trabalhar mais de seis mil homens". Depois das minas entrarem em crise por volta do fim da segunda guerra mundial, vai para Torres Novas onde fica cerca de 17 anos na lida do campo, na apanha da azeitona, figos, na vindima, grão, milho, ceifando trigo.
Ficavam nunca menos de seis meses e vinham só pelo natal. A mulher do sr zé ganhava 7$00 e o ele 14$0, por dia, ao fim de seis meses onde chegavam a amealhar 500$00 a 600$00 "muito dinheiro nessa altura" confessa o Sr Zé Gaspar, "era uma festa, já vínhamos a cantar a Maria Anita".

Quando foi trabalhar num lagar em Torres Novas, começou a ganhar mais, trazendo nessa altura 800$00 que lhe deu para comprar uma um terreno e fazer uma casa, "comprei o terreno ao Sr António Brás e à Tininha", vendendo a casa mais tarde por "4 contos".
Nessa altura decide ficar e fazer-se canalizador, ficando 21 anos a trabalhar para a Junta de Freguesia do Paul, de 1960 1981. Entretanto fez um interregno de 8 anos, mais precisamente de 1969 a 1977 quando imigrou para a França, "Não me dava lá bem", diz o "ti zé", que trabalhava nas obras e a mulher nas fábricas, acabando os dois por se virem embora para Portugal, "agarrando-me novamente ao tear" diz. "Cheguei a fazer três mantas num dia", hoje já faço menos, mas vou fazendo, "levo 17,50€ de fazer uma manta".
Faz vários tipos, manta mais fina, mais grossa, com bordados, passadeiras, toalhas, tapetes, cobertores e mantas da Serra, "Daquelas que os Pastores utilizavam, com lã de ovelha da serra" que outrora mandavam fiar na fábrica de unhais, diz Ti zé".

Artigos | Manta de Ourelos, são as mantas de retalhos, restos de trapos, enrolados e juntos com linha uns aos outros! Ficam com um aspecto muito colorido, depende dos trapos, e tem um peso enorme, excelente para as noites de inverno frias, para fazer peso (calor). Também são utilizadas para a apanha da azeitona (as mais velhas, porque são muito resistentes). Ainda as poderás ver, quando estão os feijões as secar ao sol.

Capacidade de Produção | Variável

Pontos de Venda | Paul - Sítio do Lameirão ou Mial nº86



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